O Nós Pós parte 23, realizado quarta-feira, dia 10/06/09, no Burburinho deu um show de entretenimento de qualidade. Não teve jogo do Brasil certo! Pontos para a escritora, atriz atriz e membro do grupo Vozes Femininas Silvana Menezes, pro escritor Johnny Martins, pro escritor e blogueiro Arthus Nunes, pro stand up comedy e escritor Sr. Xavier, pro escritor Gustavo Arruda e pro ator Eduardo Gomes, que interpretou os textos de Gustavo. Também pra apresentadora convidada, a escritora e jornalista Renata Santana.
Segue algumas fotos do evento e alguns textos apresentados pelos convidados.
Apresentação: Renata Santana
(foto por Magda Silva)
Bicho Hospedeiro
Desmantelo
Mantê-lo
(Nesse bicho hospedeiro),
Amor.
Arranhava as cortinas da sala
Bebia no meu copo
e não limpava os pés
pra pisar na minha alcatifa.
E voltou,
Esqueci a porta aberta e voltou.
Não trouxe de nenhuma cor, mas se sentou.
Não trouxe tapeçarias de algum valor
E foi ficando.
Era o mesmo amor
o mesmo cheiro
e o papagaio no quintal nem estranhou.
Tudo ficou silêncio.
Eu fiquei estranha
Sem saber onde por mãos
E chaves.
Nada fiz com as chaves.
Arranquei todas as portas e grades
Mapeei entradas e saídas e disse:
-Se ficas na minha vida,
Pelo menos compre pão
(Porque os outros o diabo amassou).
Primeiro me penetrou.
Depois bebeu meu sangue quente.
E eu,
de dona
Me fiz seu inquilino
Novamente.
Hora e Ofício
A língua invade
E só a ela cabe
Porque só ela cabe.
Tabu
Sobre coxas, falo.
Sobre conchas, abro.
Sobrecu,
Corto fora, tempero a galinha e boto no fogo.
Lição de Casa
Vo-vô-viu-a-U-va
E também a vulva,
Da viúva.
Johnny Martins
Joh era daquela qualidade de gente carente de bom-senso, tá ligado? pois muito bem, Joh distribuía seu número de telefone à torta e à direita e, portanto, não estranhou quando recebeu, numa noite de densa chuva, uma mensagem de um "número desconhecido" em seu celular. perguntar o nome lhe pareceu deselegante e pouco atencioso. ocorreu, então, a seguinte seqüência de mensagens:
[no. desconhecido]: e aí, Joh, o que vc tá achando desse frio?
[joh]: queria esquentar as coisas por aqui!
[no. desconhecido]: pois é, o cobertor não tá mais dando conta!
[joh]: e então? tô em casa!
[no. desconhecido]: vc não quer abrigar um menor descamisado?
[joh]: "descamisado", sim! "menor", não!
[no. desconhecido]: risos. tem razão. tô morrendo de frio! que sugestões vc me dá?
[joh]: venha aqui para conhecer as alternativas!
[no. desconhecido]: proponha as suas e eu proponho as minhas!
[joh]: venha! vamos quebrar esse gelo!
[no. desconhecido]: olha que eu vou, mesmo não tendo mais carro!"
[joh]: pois venha! já tô demitindo esses cobertores incompetentes!
[no. desconhecido]: aqui na minha casa tem um picador de gelo ótimo!
[joh]: e vc mora onde mesmo?
[no. desconhecido]: tô em Jardim São Paulo ainda.
após 10 minutos sem resposta:
[no. reconhecido]: o que houve? o frio congelou seus dedos?
moral da história [ou: "se conselho fosse bom"]: sabe aquele seu ex-namorado-filho-da-puta-cafajeste? pois bem, antes de deletar o telefone dele do seu celular, certifique-se de que ele também fez o mesmo com o seu!
[no. desconhecido]: e aí, Joh, o que vc tá achando desse frio?
[joh]: queria esquentar as coisas por aqui!
[no. desconhecido]: pois é, o cobertor não tá mais dando conta!
[joh]: e então? tô em casa!
[no. desconhecido]: vc não quer abrigar um menor descamisado?
[joh]: "descamisado", sim! "menor", não!
[no. desconhecido]: risos. tem razão. tô morrendo de frio! que sugestões vc me dá?
[joh]: venha aqui para conhecer as alternativas!
[no. desconhecido]: proponha as suas e eu proponho as minhas!
[joh]: venha! vamos quebrar esse gelo!
[no. desconhecido]: olha que eu vou, mesmo não tendo mais carro!"
[joh]: pois venha! já tô demitindo esses cobertores incompetentes!
[no. desconhecido]: aqui na minha casa tem um picador de gelo ótimo!
[joh]: e vc mora onde mesmo?
[no. desconhecido]: tô em Jardim São Paulo ainda.
após 10 minutos sem resposta:
[no. reconhecido]: o que houve? o frio congelou seus dedos?
moral da história [ou: "se conselho fosse bom"]: sabe aquele seu ex-namorado-filho-da-puta-cafajeste? pois bem, antes de deletar o telefone dele do seu celular, certifique-se de que ele também fez o mesmo com o seu!
Ela cantava. Ele olhava a rua deserta da janela do edifício, fumando um cigarro, existencial, tenso, cansado, era noite. Mas ela cantava em algum lugar de outra varanda. A voz era afinada, tocante. Ele ouviu: "... você deságua em mim, eu oceano".
Os carros passavam ruidosos, cortando os versos. Ela cantava como se aquela noite barulhenta, aquela solidão noturna e aquele frio fossem seu momento mais doce. E ele desejou aquele mesmo momento dela para si. Tanto que em seus ouvidos calaram os carros, a noite ficou cheia de possibilidades mornas. E então, querendo compartilhar aquele amor tranqüilo pela noite, pegou o telefone:
-- Alô!
-- Oi! Sou eu! Escuta, deixa eu ler uma coisa aqui pra tu: "Ela cantava...".
Mais textos de Johnny Martins em Risco no Tempo.
Sr. Xavier
(foto por Magda Silva)
“A MENINA E A MESA”
Eram quase duas da manhã, eu estava sem sono algum, sentada na sala vendo TV... Estava só, já estava acostumada a ficar só em casa, minha mãe costuma sair e passar noites fora de casa, meu pai? Ele faleceu num acidente de carro quando eu tinha apenas 8 anos, vi minha mãe sofrer muito com isto. Certo dia, mais ou menos 3 anos depois da morte de meu pai, lembro que uma amiga de minha mãe disse-lhe: “você precisa encontrar outro homem, isto não quer dizer que você não o tenha amado, mas que você se ama também...” naquela noite vi que minha mãe tinha aceitado o conselho da amiga, ela chegou em casa acompanhada, era um homem alto, meio gordo... mas mesmo assim bonito, educado parou para me cumprimentar mesmo com minha mãe reclamando por eu estar acordada naquela hora. Fui para meu quarto mas não consegui dormir, chovia fazia frio e eu pela primeira vez em minha vida desejei um homem ao meu lado, não sei se foi porque vi minha mãe acompanhada depois de tanto tempo ou se era porque eu já estava com 13 anos e nunca tinha sequer beijado na boca de alguém...
- O que você fez para conter o desejo?
-Conter o desejo? Quem gosta disso? ...Você gosta de se conter? Aposto que não, ninguém gosta, eu só obedeci o que vinha de dentro, agarrei um travesseiro que eu tinha, lembro que ele tinha as bordas meio firmes, daí já sabe o que eu fiz não é!?
-Você se masturbou?
-Pela primeira vez... você nem pode imaginar como aquilo foi prazeroso, me imaginava sendo agarrado por braços fortes de um homem cheio de tesão por mim... mas ao mesmo tempo desejava ter meus lábios entre os seios fartos de uma mulher de pele morena, bronzeada, sedosa...
-Sério? Você desejava uma mulher enquanto se masturbava?
-Também achei estranho depois... mas a cada vez que me masturbava pensava na mesma morena.
-Alguém que você conhecia?
-Não, pra ser sincera, uma morena que até hoje nunca a conheci.
-E você criou o habito de se masturbar ou era raro fazer isto?
-Raro? Raro era eu parar... só diminuir a quantidade de vezes que me masturbava quando perdi minha virgindade, mais ou menos um ano depois.
-Você transou pela primeira vez aos 14 anos?
-Ahan...
-Pode falar sobre isto?
-Claro. Era dia, umas 10 da manhã, lembro de ter fugido do colégio com um garoto, estudávamos na mesma turma, a esta altura já tinha beijado, não ele, mas já tinha beijado... fomos para um terreno baldio aos fundos do colégio, lá tinha uma meia casa em construção, que estava abandonada fazia tempo, aconteceu lá... não foi muito bom ele tinha 14 ou 15 sei lá, só sei que também era virgem, estava mais nervoso que eu. Eu praticamente tive que fazer tudo sozinha, não doeu, não sangrou, não tive orgasmo, não foi prazeroso, e acho que ele nem gozou direito, mas mesmo assim foi minha primeira vez e eu lembro com carinho.
- E depois disto? Como vocês agiam?
- Come se nada tivesse acontecido, nunca mais tivemos nenhum contato alem de conversas de colégio.
-E depois disto, como ficou sua vida sexual?
-Transei mais umas duas vezes no mesmo mês, uma vez com outro garoto do colégio, de outra turma, mais velho um pouco e a outra vez com um desconhecido que encontrei na condução indo para casa de uma amiga, deixei de fazer o trabalho do colégio para transar... eu queria a todo custo ter um orgasmo.
-Você não teve medo de transar com um desconhecido?
-Sendo sincera um pouco, afinal sei lá quem era o cara, em momento algum perguntei seu nome, só sei que ele deveria ter uns trinta anos... tudo começou na condução como eu já disse, estávamos sentado um ao lado do outro ele não parava de olhar minhas pernas, eu estava de bermuda, meio apertada não era short mas também não muito longa, percebi que ele me olhava de forma a me desejar, deixei que me “devorasse com os olhos” até que ele viu que eu estava percebendo tudo, daí ele chegou perto e com uma voz baixa e tranqüila me disse: “Que bela ninfeta é você... quer brincar um pouco comigo?” depois desta cantada barata, eu tinha duas escolhas, dá um tapa nele gritando “taradoooo” e deixar que as pessoas da condução o linchasse ou acreditar que ele poderia me dar um orgasmo...
-Você teve um orgasmo neste dia?
-Nunca tive um orgasmo com homem nenhum.
-Depois dele você relaxou ou continuou procurando este enorme prazer em outros homens?
-Relaxei. Achava que estava meio nova e que só iria conseguir quando tivesse ao menos uns dezessete por aí.
-Quanto tempo você passou sem transar?
-Quase um ano.
-Mas se masturbava ou não.
-Raramente. Agora raramente... até que comecei um namorinho com um primo de uma amiga do colégio. Foi meu primeiro e único namorado, acho ate que ele me amava, ficamos juntos por oito meses, foi aí que transei de novo, foi durante nosso namoro, ele tinha dezoito anos.
-Você gostava dele? Sentia tesão por ele?
-Muito e muito. Mas mesmo sentindo tesão por ele não conseguia gozar.
-Porque vocês acabaram o namoro.
-Foi nesta época que minha mãe foi transferida pela empresa que ela trabalhava, ela foi promovida, virou gerente regional, daí tivermos que nos mudar para outro estado.
-Sua família sempre foi você e sua mãe, mas sempre foi bem estruturada financeiramente falando não é?! Ao menos é o que parece.
-Meu pai tinha um bom emprego, e quando morreu ficou uma boa pensão para mim e minha mãe. Minha mãe também tinha um bom emprego numa multinacional, sem duvida nunca tivemos nenhum problema financeiro. Mas porque você falou nisto? Você acha que o fato de eu ter sido, digamos “rebelde” teria algo a ver com dinheiro?
-Não, creio que não... mas vamos continuar. Quando você começou a ter prazer de verdade com sexo?
-A pouco, já estava com uns 20 anos, foi quando eu já estava me prostituindo... mas bem antes disso veio um orgasmo.
-Espera, você me disse que nunca tinha tido um orgasmo.
-Nunca com homens, nem mulheres... por mais inusitado que pareça meus poucos orgasmos foi com uma mesa.
-Uma mesa! Como assim?
-Em meu quarto tinha uma mesa encostada na parede que eu usava para estudar, a mesa já era meio velha estava ali desde a época em que eu era uma guria. Para que eu não me machucasse minha mãe colocou nas quinas dela uma proteção de borracha. Certo dia eu tentava pegar um livro que estava numa prateleira na parede que a mesa estava encostada, como sou baixinha não alcançava devido a mesa estar no meio do caminho, fazendo com que eu ficasse afastada da parede e mais longe da prateleira, ao me encostar na quina da mesa percebi que a proteção de borracha que estava ali à anos encostou de forma gostosa no meu clitóris, neste momento percebi que poderia me masturbar usando a quina da mesa. Esqueci o livro, larguei o que estava fazendo, tranquei a porta, tirei minha roupa e tive meu primeiro orgasmo.
-Usando uma quina de uma mesa?
-Sim.
-E o que você pensou enquanto se masturbava com a mesa?
-Adivinha?
-Sei lá.
-Em uma linda morena de seios fartos, pele bronzeada e sedosa. E assim continuou, toda vez que eu me masturbava com a mesa, pensava nesta mesma morena, pensava que no lugar da quina emborrachada da mesa estava seus dedos e lábios, e era assim que eu conseguia ter orgasmos, e ainda é.
-Você ainda usa a mesa para se masturbar?
-Sim. Ainda uso.
-quando isto começou você tinha uns 15 ou 16 anos não era?
-Sim mais ou menos isto...
-Agora você esta com 26. mas me disse que começou a ter prazer no sexo aos 20, quando já se prostituía, podemos falar sobre isto?
-Sim, podemos sim...
-Fale sobre o que quiser desta época, me diga quanto tempo você se prostituiu...
-Começou aos 17 anos, logo após a historia com a mesa... já tinha ido morar sozinha, noutra cidade onde eu iria estudar, tava entrando na universidade, bacharelado em geografia... nossa, da vontade de rir em pensar que escolhi este curso... mas enfim, sem ter um porque me veio a vontade de transar novamente com um desconhecido, daí resolvi colocar um anuncio no jornal, com um nome falso, só para ver se desta vez conseguiria ter prazer, em pouco tempo eu estava fazendo entre 8 e 12 programas por semana, eram jovens, velhos, mulheres, casais, todo tipo que você possa imaginar. Eu nem pensava no dinheiro, ate hoje tenho boa parte guardado, nem sei o que vou fazer, então os programas começaram a ficar gostosos quando numa bela noite eu tive a brilhante idéia, enquanto transava com um velho barbudo pensei na morena, aquela mesma morena, foi aí que descobrir um jeito de ser prazeroso pra mim.
-Nossa, esta morena realmente deve ser incrível... mas me diga, se você foi morar sozinha, como ficou sua mãe?
-Minha mãe continua morando na mesma cidade, ela e o Tony, estão super bem, e como você deve imaginar ela não sabe de nada.
-Quem é Tony?
-Tony é o namorado dela, que eu lhe falei, que eles ficaram juntos quando eu tinha 13 anos...
-Sei, sei... é bom saber que ainda estão juntos. Mas para não fugir do assunto, me diga quando você resolveu parar de se prostituir?
-No ultimo sábado, e é por isto que estou aqui.
-Desculpa mas eu não entendi... quer dizer que você procurou um psicólogo porque parou de se prostituir?
-Não exatamente. Quero saber se existe alguma possibilidade de você me ajudar a esquecer a morena. Não agüento mais pensar nela sempre que transo... não agüento mais só conseguir um orgasmo com uma quina emborrachada de uma mesa velha, e mesmo assim pensando na mesma morena... por favor você precisa me ajudar, você precisa tirar isto de minha cabeça.
-Não é tão fácil, eu não posso simplesmente tirar um desejo que existe à mais que 10 anos.
-Então o que eu posso fazer? Continuar me prostituindo desejando ter um orgasmo e pensado na morena?
-Você sempre se sentiu muito tranqüila quando o assunto é sexo não é?!
-Eu acho que nunca senti vergonha com nada.
-Ok, creio ter uma solução para seu caso...
-Serio?!
-Eu não acredito que você não percebeu ao entrar em meu consultório...
-Percebi o que?
-Rita você pode vir aqui por favor!
-Rita é sua secretária não é?
-Sim Dr. Augusto?
-Rita esta é a Malu, uma paciente que já é uma grande amiga, gostaria que vocês se conhecessem.
-Prazer Rita...
-O prazer é todo meu Dona Malu.
-Me chame só de malu por favor.
-Como quiser. Com licença vou atender o telefone.
-Você entendeu agora Malu?
-Nossa eu não tinha percebido... não tinha prestado atenção na sua secretaria, é...
-É sim. É a morena que você tanto falou. Seios fartos pele bronzeada e sedosa.
-Sim mas o que você quer que eu faça? A convide para sair?
-Porque não?
-Eu sou uma mulher, ela não aceitaria.
-Aposto que aceitaria.
-Serio?!
-Sim, você faz o tipo dela... sei que estou sendo antiético, mas quero solucionar dois problemas ao mesmo tempo, você precisa desta morena, e a Rita precisa de alguém que tenha atenção por ela.
-Você é mais louco do que eu pensava.
-Não... só estou agindo como um amigo das duas, agora n sou mais um psicólogo, sou um amigo querendo ajudar, sei que posso estar fazendo algo errado, mas é esta a realidade, quero ver vocês bem.
-E agora se eu n fizer algo, não vou mais parar de pensar na Rita, vim aqui para parar de pensar na morena, agora vou é ficar com ela mais ainda na cabeça...
-E o que você vai fazer?
-Falar com ela, ser eu mesma. Você pode chama-la para mim?
-Sim, claro. Rita a Malu quer falar com você.
-Algo que eu possa ajudar Malu?
-Posso lhe fazer uma pergunta Rita?
-Claro que pode, fique a vontade.
-Quer transar comigo?
- O que você fez para conter o desejo?
-Conter o desejo? Quem gosta disso? ...Você gosta de se conter? Aposto que não, ninguém gosta, eu só obedeci o que vinha de dentro, agarrei um travesseiro que eu tinha, lembro que ele tinha as bordas meio firmes, daí já sabe o que eu fiz não é!?
-Você se masturbou?
-Pela primeira vez... você nem pode imaginar como aquilo foi prazeroso, me imaginava sendo agarrado por braços fortes de um homem cheio de tesão por mim... mas ao mesmo tempo desejava ter meus lábios entre os seios fartos de uma mulher de pele morena, bronzeada, sedosa...
-Sério? Você desejava uma mulher enquanto se masturbava?
-Também achei estranho depois... mas a cada vez que me masturbava pensava na mesma morena.
-Alguém que você conhecia?
-Não, pra ser sincera, uma morena que até hoje nunca a conheci.
-E você criou o habito de se masturbar ou era raro fazer isto?
-Raro? Raro era eu parar... só diminuir a quantidade de vezes que me masturbava quando perdi minha virgindade, mais ou menos um ano depois.
-Você transou pela primeira vez aos 14 anos?
-Ahan...
-Pode falar sobre isto?
-Claro. Era dia, umas 10 da manhã, lembro de ter fugido do colégio com um garoto, estudávamos na mesma turma, a esta altura já tinha beijado, não ele, mas já tinha beijado... fomos para um terreno baldio aos fundos do colégio, lá tinha uma meia casa em construção, que estava abandonada fazia tempo, aconteceu lá... não foi muito bom ele tinha 14 ou 15 sei lá, só sei que também era virgem, estava mais nervoso que eu. Eu praticamente tive que fazer tudo sozinha, não doeu, não sangrou, não tive orgasmo, não foi prazeroso, e acho que ele nem gozou direito, mas mesmo assim foi minha primeira vez e eu lembro com carinho.
- E depois disto? Como vocês agiam?
- Come se nada tivesse acontecido, nunca mais tivemos nenhum contato alem de conversas de colégio.
-E depois disto, como ficou sua vida sexual?
-Transei mais umas duas vezes no mesmo mês, uma vez com outro garoto do colégio, de outra turma, mais velho um pouco e a outra vez com um desconhecido que encontrei na condução indo para casa de uma amiga, deixei de fazer o trabalho do colégio para transar... eu queria a todo custo ter um orgasmo.
-Você não teve medo de transar com um desconhecido?
-Sendo sincera um pouco, afinal sei lá quem era o cara, em momento algum perguntei seu nome, só sei que ele deveria ter uns trinta anos... tudo começou na condução como eu já disse, estávamos sentado um ao lado do outro ele não parava de olhar minhas pernas, eu estava de bermuda, meio apertada não era short mas também não muito longa, percebi que ele me olhava de forma a me desejar, deixei que me “devorasse com os olhos” até que ele viu que eu estava percebendo tudo, daí ele chegou perto e com uma voz baixa e tranqüila me disse: “Que bela ninfeta é você... quer brincar um pouco comigo?” depois desta cantada barata, eu tinha duas escolhas, dá um tapa nele gritando “taradoooo” e deixar que as pessoas da condução o linchasse ou acreditar que ele poderia me dar um orgasmo...
-Você teve um orgasmo neste dia?
-Nunca tive um orgasmo com homem nenhum.
-Depois dele você relaxou ou continuou procurando este enorme prazer em outros homens?
-Relaxei. Achava que estava meio nova e que só iria conseguir quando tivesse ao menos uns dezessete por aí.
-Quanto tempo você passou sem transar?
-Quase um ano.
-Mas se masturbava ou não.
-Raramente. Agora raramente... até que comecei um namorinho com um primo de uma amiga do colégio. Foi meu primeiro e único namorado, acho ate que ele me amava, ficamos juntos por oito meses, foi aí que transei de novo, foi durante nosso namoro, ele tinha dezoito anos.
-Você gostava dele? Sentia tesão por ele?
-Muito e muito. Mas mesmo sentindo tesão por ele não conseguia gozar.
-Porque vocês acabaram o namoro.
-Foi nesta época que minha mãe foi transferida pela empresa que ela trabalhava, ela foi promovida, virou gerente regional, daí tivermos que nos mudar para outro estado.
-Sua família sempre foi você e sua mãe, mas sempre foi bem estruturada financeiramente falando não é?! Ao menos é o que parece.
-Meu pai tinha um bom emprego, e quando morreu ficou uma boa pensão para mim e minha mãe. Minha mãe também tinha um bom emprego numa multinacional, sem duvida nunca tivemos nenhum problema financeiro. Mas porque você falou nisto? Você acha que o fato de eu ter sido, digamos “rebelde” teria algo a ver com dinheiro?
-Não, creio que não... mas vamos continuar. Quando você começou a ter prazer de verdade com sexo?
-A pouco, já estava com uns 20 anos, foi quando eu já estava me prostituindo... mas bem antes disso veio um orgasmo.
-Espera, você me disse que nunca tinha tido um orgasmo.
-Nunca com homens, nem mulheres... por mais inusitado que pareça meus poucos orgasmos foi com uma mesa.
-Uma mesa! Como assim?
-Em meu quarto tinha uma mesa encostada na parede que eu usava para estudar, a mesa já era meio velha estava ali desde a época em que eu era uma guria. Para que eu não me machucasse minha mãe colocou nas quinas dela uma proteção de borracha. Certo dia eu tentava pegar um livro que estava numa prateleira na parede que a mesa estava encostada, como sou baixinha não alcançava devido a mesa estar no meio do caminho, fazendo com que eu ficasse afastada da parede e mais longe da prateleira, ao me encostar na quina da mesa percebi que a proteção de borracha que estava ali à anos encostou de forma gostosa no meu clitóris, neste momento percebi que poderia me masturbar usando a quina da mesa. Esqueci o livro, larguei o que estava fazendo, tranquei a porta, tirei minha roupa e tive meu primeiro orgasmo.
-Usando uma quina de uma mesa?
-Sim.
-E o que você pensou enquanto se masturbava com a mesa?
-Adivinha?
-Sei lá.
-Em uma linda morena de seios fartos, pele bronzeada e sedosa. E assim continuou, toda vez que eu me masturbava com a mesa, pensava nesta mesma morena, pensava que no lugar da quina emborrachada da mesa estava seus dedos e lábios, e era assim que eu conseguia ter orgasmos, e ainda é.
-Você ainda usa a mesa para se masturbar?
-Sim. Ainda uso.
-quando isto começou você tinha uns 15 ou 16 anos não era?
-Sim mais ou menos isto...
-Agora você esta com 26. mas me disse que começou a ter prazer no sexo aos 20, quando já se prostituía, podemos falar sobre isto?
-Sim, podemos sim...
-Fale sobre o que quiser desta época, me diga quanto tempo você se prostituiu...
-Começou aos 17 anos, logo após a historia com a mesa... já tinha ido morar sozinha, noutra cidade onde eu iria estudar, tava entrando na universidade, bacharelado em geografia... nossa, da vontade de rir em pensar que escolhi este curso... mas enfim, sem ter um porque me veio a vontade de transar novamente com um desconhecido, daí resolvi colocar um anuncio no jornal, com um nome falso, só para ver se desta vez conseguiria ter prazer, em pouco tempo eu estava fazendo entre 8 e 12 programas por semana, eram jovens, velhos, mulheres, casais, todo tipo que você possa imaginar. Eu nem pensava no dinheiro, ate hoje tenho boa parte guardado, nem sei o que vou fazer, então os programas começaram a ficar gostosos quando numa bela noite eu tive a brilhante idéia, enquanto transava com um velho barbudo pensei na morena, aquela mesma morena, foi aí que descobrir um jeito de ser prazeroso pra mim.
-Nossa, esta morena realmente deve ser incrível... mas me diga, se você foi morar sozinha, como ficou sua mãe?
-Minha mãe continua morando na mesma cidade, ela e o Tony, estão super bem, e como você deve imaginar ela não sabe de nada.
-Quem é Tony?
-Tony é o namorado dela, que eu lhe falei, que eles ficaram juntos quando eu tinha 13 anos...
-Sei, sei... é bom saber que ainda estão juntos. Mas para não fugir do assunto, me diga quando você resolveu parar de se prostituir?
-No ultimo sábado, e é por isto que estou aqui.
-Desculpa mas eu não entendi... quer dizer que você procurou um psicólogo porque parou de se prostituir?
-Não exatamente. Quero saber se existe alguma possibilidade de você me ajudar a esquecer a morena. Não agüento mais pensar nela sempre que transo... não agüento mais só conseguir um orgasmo com uma quina emborrachada de uma mesa velha, e mesmo assim pensando na mesma morena... por favor você precisa me ajudar, você precisa tirar isto de minha cabeça.
-Não é tão fácil, eu não posso simplesmente tirar um desejo que existe à mais que 10 anos.
-Então o que eu posso fazer? Continuar me prostituindo desejando ter um orgasmo e pensado na morena?
-Você sempre se sentiu muito tranqüila quando o assunto é sexo não é?!
-Eu acho que nunca senti vergonha com nada.
-Ok, creio ter uma solução para seu caso...
-Serio?!
-Eu não acredito que você não percebeu ao entrar em meu consultório...
-Percebi o que?
-Rita você pode vir aqui por favor!
-Rita é sua secretária não é?
-Sim Dr. Augusto?
-Rita esta é a Malu, uma paciente que já é uma grande amiga, gostaria que vocês se conhecessem.
-Prazer Rita...
-O prazer é todo meu Dona Malu.
-Me chame só de malu por favor.
-Como quiser. Com licença vou atender o telefone.
-Você entendeu agora Malu?
-Nossa eu não tinha percebido... não tinha prestado atenção na sua secretaria, é...
-É sim. É a morena que você tanto falou. Seios fartos pele bronzeada e sedosa.
-Sim mas o que você quer que eu faça? A convide para sair?
-Porque não?
-Eu sou uma mulher, ela não aceitaria.
-Aposto que aceitaria.
-Serio?!
-Sim, você faz o tipo dela... sei que estou sendo antiético, mas quero solucionar dois problemas ao mesmo tempo, você precisa desta morena, e a Rita precisa de alguém que tenha atenção por ela.
-Você é mais louco do que eu pensava.
-Não... só estou agindo como um amigo das duas, agora n sou mais um psicólogo, sou um amigo querendo ajudar, sei que posso estar fazendo algo errado, mas é esta a realidade, quero ver vocês bem.
-E agora se eu n fizer algo, não vou mais parar de pensar na Rita, vim aqui para parar de pensar na morena, agora vou é ficar com ela mais ainda na cabeça...
-E o que você vai fazer?
-Falar com ela, ser eu mesma. Você pode chama-la para mim?
-Sim, claro. Rita a Malu quer falar com você.
-Algo que eu possa ajudar Malu?
-Posso lhe fazer uma pergunta Rita?
-Claro que pode, fique a vontade.
-Quer transar comigo?
Arthus Nunes
(fot por Magda Silva)
O que quero?!
Quero correr pelas madrugadas.
Amar, viver, constranger.
Comer uma bela picanha depois de me tornar uma só carne.
Quero Carnaval sem fim.
Ouvir frevos, cirandas, caboclos, maracatus em tambores silenciosos
fazendo meu coração parar e batucar em seu ritmo.
Quero ler eternos livros feitos de vida, ou impressões dela.
Quero escrever sentimentos não tão claros quanto os papeis que vão exibi-los.
Quero ser maior. Fazer minha voz ecoar pelas terras secas, e também nas mal educadas, de meu pais.
Quero compartilhar minha vida e felicidade com as pessoas que me amam.
A propósito, quero sim ser amado.
Quero ouvi-la sussurrar segredos em plena madrugada em meus ouvidos.
Quero enfrentar medos, e vence-los.
Mas também quero perder.
Perder para as minhas vontades, realizando tudo o que quero.
Maré
Às margens do capibaribe
escrevo-me em papel.
Tentando calar o mundo
E ouvir a solidão.
Às margens do capibaribe
Reflito-me em águas calmas.
Tentando enxergar tantas
imagens prateadas e turvas.
Às margens do capibaribe
Espancava-me o vento.
Tentando levar embora a dor
deixando-me apenas os pensamentos.
Poemetos
Os poemas que não li são mais profundos
Atingem a alma sem ter a mente como intermédio.
Os poemas que ainda não li mostram tudo que ei de saber
São completos e satisfatórios em sua forma. (Indiferentes ao mundo lá fora)
Os poemas que ainda não li falam mais ainda de mim
Esses poemas não raros são os que ainda não escrevi.
Mais textos de Arthus Nunes em jovemmisantropo.blogspot.com
Silvana Menezes
(foto por Magda Silva)
Ator Eduardo Gomes / Gustavo Arruda


O ESPORRO DO ESTUPOR (Gustavo Arruda)
Tenho um compadre cabuloso que só. Um porre!
Cheio de nó pelas costas, amarrado, mas estribado feito a murrinha. Encarnou bem um mês em mim, adulando pro mode eu espiar a trepeça de um computador “rochedo” que ele tinha comprado.
O cabra tava tão azoretado com o mondrongo, que passava o dia escanchado nele e a noite sem cochilar. Não arredava o pé nem pra ir no aparelho e chega ficou mofino de não comer. Até que eu criei coragem pra avoar da rede, amontar na magrela, deixar de ser tratante e não farrapar mais com ele.
Cheguei impando na casa do desinfeliz. Pipocando de suor, bufando de tão esbaforido e com a calça descosida no parreco (do esfregado da cela de mola). O compadre me deu um abano e uma meiota de garapa (pra abaixar o mormaço), conversou um tanto de miolo de pote e disse (apontando pro bicho): “Diga aí: tu visse? É cabaço!”.
O tribufu medonho parecia uma televisão encangada com uma máquina de escrevinhar. Tinha até transformador. Só que o controle remoto era apregado num fio.
Foi aí que eu atinei porque o infeliz das costas ocas não saia de riba do cafinhoto. Depois de afolozar uma ingrisia, encarcar um negócio do coisa e catucar num pitoco, começou a passar a calunga se bulindo de uma rapariga (amostrando a periquita) e a estampa de uma quenga com a saia alevantada (aparecendo o oiti).
Bem nessa hora chega a nêga véia dele, desplanaviada (saída não sei de onde), e danou-se foi tudo! Era uma sarará caraôia (zarôia) e guenza, com um dente faltando, o outro cariado, o nariz de porrote e buchuda, mas braba que só um siri na lata (parecia uma capota choca) e berrando feito uma gasguita. Avalie.
Deu-lhe um muxicão e um esporro do estupor, avacalhando o miserento com gosto de gás: “É por isso que tu num quer xumbregar mais eu! Né, estrupício?”.
Fiquei meio aguado (todo empulhado e amojado), tapeando pela beirada do birô e me fazendo de alesado (pro bafafá não sobrar pra mim), sem poder acudir. Mas tu pensa que depois disso o sonso (cara-lisa) do maluvido se aperreou?
Largou foi da mulher, mas não deixou o computador nem com a pleura!
Do livro "Deu com a pleura! matutices da cidade grande", de Gustavo Arruda (Zit Editora) http://www.deucomapleura.com.
EM BREVE MAIS FOTOS E TEXTOS DO EVENTO.

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